sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

VIDA POENTE


Uma voz abafada,
Um desvelo ausente
Num murmúrio dolente.
De que vale um reconhecimento silente
Se apenas amarga os corações descrentes
Com sensações incongruentes?
O que seria das flores
Não fossem as sementes?
Ou mesmo dos sorrisos
Não fossem os dentes?
Melhor uma dor que se sente,
Porque até com ela se aprende,
Do que o vazio de uma vida poente.

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

MEU CAVALO E NOSSAS ESCOLHAS


Amarrei meu cavalo em uma árvore
Alta, verdinha e respeitosa,
Frondosa como poucas...
Suntuoso chapéu natural
A nos proteger das intempéries.
Até que vivíamos bem,
Eu e meu cavalo.
Desgraçadamente, mesmo sentindo
Todas as particularidades da planta
Em franca conspiração a nosso favor,
Não conseguíamos gostar de seu fruto.
Várias vezes pensamos em abandonar
O seguro e acolhedor abrigo.
No entanto, em laudável ato de bom senso,
Ponderávamos sempre:
É possível ter tudo?
Foi o que nos salvou!

quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

O BALANÇO


Era uma vez uma rede
E o pé recostado numa parede
Num balanço que parecia ter sede
De descobrir o mundo fora daquele quarto
Aparentava estar farto
Cansou-lhe demais o parto
Porque antes da partida, da batida, da lida
Ou até mesmo de ser pessoa querida,
Aquele balanço só ansiava por vida.