segunda-feira, 12 de abril de 2010

RUPTURA

Minha roseira virou ruína.
De que vale todo o meu rompante
Se até o resto me rechaça?
O pior é que me retorço,
Desfaço-me em retalhos.
Repagino o rótulo e
Até retoco minha retórica,
Mas meus recados rebeldes
Só me trazem mais rusgas.
Apagou-se meu talento para rimas.
Das reverberantes risadas,
Restaram roucos ruídos.
Em meu rosto, seguem os ranços
De todas as minhas réplicas.
Nem mesmo as cores de Rembrandt
Ou as palavras de Rimbaud
Fariam reluzir meu retrato.
Mas viver não é ruminar.
Viver é ter sabedoria para reformular o roteiro
Toda vez que ressoarem as ranhuras.


segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

POSTURA


Seu caminho você que escolhe
Não chore
Não implore
Não demore
Senão o mundo te tolhe
O medo te encolhe
E a vida te engole

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

VIDA POENTE


Uma voz abafada,
Um desvelo ausente
Num murmúrio dolente.
De que vale um reconhecimento silente
Se apenas amarga os corações descrentes
Com sensações incongruentes?
O que seria das flores
Não fossem as sementes?
Ou mesmo dos sorrisos
Não fossem os dentes?
Melhor uma dor que se sente,
Porque até com ela se aprende,
Do que o vazio de uma vida poente.